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domingo, 11 de julho de 2010

Parte 5

Noite de quinta-feira, 26 de Julho de 2007


Foi por volta das oito horas da noite que a turma de Biologia deixou a sala 308 do bloco de ciências biológicas.

─ É sério isso? – Jennifer perguntou, sorrindo em seguida.

─ Infelizmente. – Caio respondeu.

─ Uau! – ela riu ─ Eu daria tudo pra estar nesse ensaio. Como deve ser você dançando valsa, hein?

─ É melhor você nem saber. – ele riu.

─ Ah, vai, fala sério! Não pode ser tão ruim assim.

─ Você fala isso porque não é você quem vai ser o príncipe na festa de quinze anos de uma adolescente mimada e exibida.

Caio e Jennifer já cruzavam a passarela que dava para o bloco de entrada da faculdade quando ouviram alguém gritando:

─ Ei, Caio! Caio!

Caio voltou-se em direção a voz e viu Roger, na quadra da faculdade, com o braço estendido para o alto. Estava sem camisa e além da bermuda e tênis, usava um boné preto com a aba para trás.

─ Quem é ele? – quis saber Jennifer.

─ É um amigo.

─ Que estranho...

─ O que? – ele perguntou.

─ Eu tenho a impressão de que já o vi em algum lugar antes.

─ Vai ver que sim, não dizem que esse mundo é pequeno?

─ É sim, mas vai lá falar com ele, o coitado até parou de jogar para falar com você.

Caio olhou para a amiga e colega de faculdade e estudou seu conselho.

─ É, tem razão. Você espera aqui?

─ Eu vou dar uma passada lá na biblioteca, acho que já vou adiantar o trabalho da professora Solange. Depois eu vou com o meu vizinho, ele deve sair as dez, aí dá um bom intervalo de estudo, afinal eu sei que se for para casa agora, com certeza não vou estudar.

─ Tem certeza?

─ Tenho sim. – ela olhou em direção a quadra e viu Roger correndo em direção a eles. ─ Ih, lá vem o seu amigo.

Caio voltou-se para trás e viu Roger a poucos metros deles. Estava completamente suado, tinha uma camisa regata de cor cinza sobre o ombro esquerdo e já havia tirado o boné para refrescar mais a cabeça.

─ E aí, cara! – falou Roger dando um tapa de leve nas costas de Caio ─ Tudo certo?

─ Tudo sim.

Roger fitou Jennifer.

─ Oi! Tudo bem?

─ Tudo. – disse ela, sorrindo simpaticamente.

Caio manifestou-se:

─ Deixe-me apresentar vocês. Esta é Jennifer, uma grande amiga e colega de sala. E Jennifer, este é o Roger.

Roger estendeu a mão em cumprimento.

─ Prazer.

─ O prazer é meu. – ela sorriu novamente e estava curiosa demais para deixar de perguntar: ─ Você estuda aqui?

─ Não. Eu venho aqui só de vez em quando para jogar basquete com a galera. Um amigo meu faz administração aqui e reserva a quadra pra gente.

─ Ah sim.

Roger fitou Caio quando perguntou, em tom de brincadeira:

─ E você, amigo, matando aula já cedo?

Jennifer e Caio sorriram.

─ Não, que é isso! Eu não sou de matar aula. É que hoje um professor não veio, parece que está doente.

─ Ah, sim.

─ Isso é verdade. O Caio é o maior cdf, não perde uma aula. E por falar em aula, eu vou ter que adiantar a matéria da professora de hoje, vocês me dão licença?

─ Claro. – disse Roger ─ Fique à vontade, eu também já estou indo embora.

─ Então eu vou andando. – disse Jennifer se despedindo de Caio com um beijo no rosto e de Roger com um aperto de mão. ─ Tchau pra vocês.

─ Tchau. – disseram ao mesmo tempo.

E Jennifer se afastava segundos depois.

─ Maneira essa sua amiga. – comentou Roger.

─ É. – Caio sorriu, mesmo sem saber por qual motivo ─ Eu adoro a Jenny, ela é uma espécie de irmã pra mim.

─ Você é filho único?

─ Não. Tenho um irmão gêmeo.

─ Sério? – e Roger levantou as sobrancelhas em sinal de surpresa.

─ É, mas não somos gêmeos idênticos, graças a Deus. Ele também estuda aqui, faz Direito.

─ E você faz qual curso?

─ Biologia. O meu período é à tarde, mas excepcionalmente nas três primeiras semanas do segundo semestre as nossas aulas serão à noite, depois volta ao normal.

─ Ahn.

Houve um período de silêncio entre eles, o que gerou um incômodo muito grande em Caio, que logo perguntou:

─ E você o que pretende fazer?

─ Bom, nesse momento, acho que já vou pra casa, já está ficando um pouco tarde para voltar a pé, ainda mais que eu moro longe.

Caio soltou uma risada.

─ O que foi? – quis saber Roger.

─ Não, eu perguntei que curso pretende fazer.

Foi a vez de Roger rir, considerando a sua fala anterior uma verdadeira idiotice frente a pergunta que Caio tinha feito.

─ Eu ainda não sei, mas provavelmente Comunicação Social.

─ É um curso muito interessante, tenho dois amigos aqui que fazem Comunicação Social, se você precisar de alguma orientação com relação ao curso, eu posso falar com eles.

─ Seria uma boa. – Roger sorriu entusiasmado com a proposta.

─ Pena que eles já saem tarde, se não falaria com eles até hoje mesmo.

─ Não, sem problema quanto a isso, brother, deixa para uma outra vez.

─ Tudo bem então.

─ Agora eu já estou indo, brother, daqui a pouco vai passar o busão.

─ Não quer uma carona? Eu estou de carro hoje.

─ Valeu aí, cara, mas não quero tirar você de seu trajeto normal e além do mais eu estou todo sujo, suado...

─ Sem problema pra mim, isso não iria me incomodar.

─ Pô, mas pelo menos deixa eu te dar um dinheiro pela gasolina. – disse isso já tirando a carteira do bolso lateral da bermuda.

─ O que é isso, cara! Deixa de bobeira, isso não é um serviço de táxi não.

Ele já havia tirado cinquenta reais da carteira e estendia a nota a frente de Caio.

─ Não, que é isso. Aceita aí, brother.

─ Não, Roger, nada disso. Guarda esse dinheiro aí, vai ser mais útil pra você em uma outra ocasião. Eu não vou aceitar.

Roger considerou a rejeição de Caio a seu gesto de forma aceitável e voltou a guardar o dinheiro na carteira.

─ Ok, mas eu fico te devendo essa.

Caio sorriu.

─ Certo. Agora vamos indo.

E os dois seguiram em direção ao portão da faculdade.